Editoras estudam como melhor explorar o livro digital
Postado em Notícias on agosto 26th, 2009 por EditorSegundo a Veja, as editoras brasileiras já estão se preparando para a chegada do livro eletrônico. Até meados de outubro, três grupos de trabalhos formados a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) deverão apresentar o resultado de um estudo que deverá dimensionar o mercado do livro digital no Brasil, os modelos de negócios que mais condizem com as tecnologias disponíveis e os aspectos legais que o substituto papel trará aos autores e outros envolvidos na cadeia de negócios.
Confira uma entrevista de Henrique Farinha, diretor-geral da Editora Gente, em que revela quais serão as expectativas do setor:
“O que faz esse grupo de trabalho?
A Câmara Brasileira do Livro sentiu a necessidade de obter respostas para algumas questões que serão vitais para a sobrevivência dos negócios em pouco tempo. Nossa função será fazer um levantamento de todas as possibilidades tecnológicas para a distribuição de conteúdo e ferramentas que sirvam para o mercado melhor se preparar para a vinda do livro eletrônico, mesmo sabendo que a internet tem várias áreas exploráveis e que não dá para cobrir tudo.
O futuro do livro é mesmo digital?
Que o futuro é digital, ninguém tem dúvida. A questão é quanto tempo isso vai levar. As limitações das plataformas ainda é grande. O Kindle, vendido pela Amazon, é preto e branco, não é agradável, é pesado e não substitui o livro. Eu vejo muita gente carregando quando vai viajar. Por enquanto, acho que essa é a vantagem deles, em vez de carregar cinco ou mais livros, carrega-se apenas um e-book.
O que as editoras temem?
As editoras não querem ser pegas de surpresa como a industria da música, que foi engolfada pela pirataria e a distribuição gratuita de música pela web.
Mas hoje a indústria fonográfica parece ter reagido.
Graças a iniciativas como o iTunes, da Apple. Uma vantagem da web é que o consumidor exerce com muito mais força sua vontade. Quem compra a música não é obrigado a comprar o CD inteiro. Passa-se de um conceito uno para fragmentado.
Isso deverá acontecer com o livro digital?
Sem dúvida. Não para romances, mas para conteúdo de referência, como já acontece nos materiais acadêmicos para universidades. Um aluno não precisa comprar um livro todo se o professor não vai usá-lo inteiro.
Tem alguém que já faz isso no Brasil?
O portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Caps) é um exemplo. Ele disponibiliza conteúdo digital de referência com artigos acadêmicos com as mais variadas fontes e áreas de conhecimento e gasta algumas dezenas de milhões de dólares.
Será o fim das livrarias?
Não vejo a razão de substituir os livreiros. Eles podem perfeitamente ter um papel de distribuição de conteúdo, até porque eles são quem melhor conhecem os hábitos dos consumidores.”
















